Ao analisar a casa desenvolvida por Oscar Niemeyer – para Oswald De Andrade –
utilizando dos conceitos de programática (FLUSSER,V), pode-se
perceber algumas disparidades entre intenção e execução. Nesse contexto, é
viável citar a grande diversidade de opções possibilitadas ao pátio aberto e,
em contraste, a falta de liberdade de composição de ambientes internos, que
acaba por limitar a programaticidade e a característica flexível e/ou
polivalente dos espaços.
O pátio, supracitado, contém características de adesão e envolvimento dos
usuários com a obra – o piso interno que se projeta para o
exterior (HERTZBERGER) é algo que
adequa usuários ao meio. Além disso, a integração entre o interno e o externo é
corroborada também pela adoção da fachada livre (LE CORBUSIER) e pela
pequena praça existente no gramado (defronte a residência) – adjunto da
integração, que busca, aparentemente, ser convidativa ao usuário, entre o piso
do espaço aberto e o caminho de percurso até a casa. Assim, existe,
parcialmente, uma abertura de variâncias de uso do espaço.

Em contrapartida, a priorização da estética por parte de Oscar – aparentemente
– torna a estrutura limitada e a organização interna finalística. É
sabido que, considerando a Tríade Vitruviana,
uma obra arquitetônica deve possuir, em equilíbrio, as características
fundamentais: funcionalidade, solidez e beleza. Quando Niemeyer
decide seu foco na função estética da residência (as lajes
inclinadas e côncava), acaba por limitar o uso do espaço interno e, por
conseguinte, exclui diversas variações de funcionalidade – o que torna o espaço
bastante finalístico. Isso se comprova com a necessidade de
reestruturação da planta, a pedido de Oswald; com a dificuldade de disposição
dos cômodos (que, após a finalização, teriam capacidade de modificação limitada.), etc.

Outrossim, ao comparar as duas plantas realizadas por Oscar,
percebe-se essa finalística exacerbadamente na segunda, considerando a mudança feita
pelo arquiteto. Contudo, nela, o projeto ganha, na área da garagem, um espaço
de lazer bastante programático, o “Caramanchão”, que pode ser utilizado pelo
morador (pelos moradores) de diferentes modos.
Repost para correção de certos termos empregados anteriormente.
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