sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Repost: Crítica - Residência Oswald Andrade, A partir da discussão de FLUSSER


     Ao analisar a casa desenvolvida por Oscar Niemeyer – para Oswald De Andrade – utilizando dos conceitos de programática (FLUSSER,V), pode-se perceber algumas disparidades entre intenção e execução. Nesse contexto, é viável citar a grande diversidade de opções possibilitadas ao pátio aberto e, em contraste, a falta de liberdade de composição de ambientes internos, que acaba por limitar a programaticidade e a característica flexível e/ou polivalente dos espaços.
     O pátio, supracitado, contém características de adesão e envolvimento dos usuários com a obra – o piso interno que se projeta para o exterior (HERTZBERGER) é algo que adequa usuários ao meio. Além disso, a integração entre o interno e o externo é corroborada também pela adoção da fachada livre (LE CORBUSIER) e pela pequena praça existente no gramado (defronte a residência) – adjunto da integração, que busca, aparentemente, ser convidativa ao usuário, entre o piso do espaço aberto e o caminho de percurso até a casa. Assim, existe, parcialmente, uma abertura de variâncias de uso do espaço.

 http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/5252

     Em contrapartida, a priorização da estética por parte de Oscar – aparentemente – torna a estrutura limitada e a organização interna finalística. É sabido que, considerando a Tríade Vitruviana, uma obra arquitetônica deve possuir, em equilíbrio, as características fundamentais: funcionalidade, solidez e beleza. Quando Niemeyer decide seu foco na função estética da residência (as lajes inclinadas e côncava), acaba por limitar o uso do espaço interno e, por conseguinte, exclui diversas variações de funcionalidade – o que torna o espaço bastante finalístico. Isso se comprova com a necessidade de reestruturação da planta, a pedido de Oswald; com a dificuldade de disposição dos cômodos (que, após a finalização, teriam capacidade de modificação limitada.), etc. 

 http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/5252


     Outrossim, ao comparar as duas plantas realizadas por Oscar, percebe-se essa finalística exacerbadamente na segunda, considerando a mudança feita pelo arquiteto. Contudo, nela, o projeto ganha, na área da garagem, um espaço de lazer bastante programático, o “Caramanchão”, que pode ser utilizado pelo morador (pelos moradores) de diferentes modos. 


Repost para correção de certos termos empregados anteriormente.

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