De cunho contemplativo e crítico, a instalação “De Lama Lâmina”, situada na galeria de Matthew Barney, possui alto nível de elaboração
estética. O caminho de chegada ao local, primeiro, faz-se bastante condizente
com as cores e com a proposta do artista, algo que se funde com a mata, meio
escondido; as cores meio metálicas, meio terrosas conversam bastante com o
natural do local.
A forma nas quais as duas geodésicas se dispõem é interessante,
a estrutura engloba a obra interior de modo eficaz. O material espelhado,
aplicado internamente, proporciona uma visão variada dos momentos. Contudo, ao
meu ver, a estrutura rouba o protagonismo da crítica ali contida.
Existe toda uma mitologia por trás da “árvore e do trator”,
algo que necessita de explicação para o efetivo entendimento, o que ocasiona um
pouco de desinteresse. A priori, entende-se somente uma possível crítica ao
desmatamento e a certos tipos de exploração; somente após a leitura das
intenções do autor, disposta numa placa, próxima a obra, pode-se entender as
outras temáticas envolvidas, como a cultura dos orixás baianos.
Ademais, a ligação da obra com outras produções do artista
faz com que, caso não conheça os trabalhos por completo, os visitantes percam uma
parcela da experiência visada pelo autor, o que corrobora para o
desaparecimento da crítica em relação a estrutura que a guarda.
Obs: imagens não autorais, retiradas da internet



















