O texto citado em sala ("Animação Cultural", FLUSSER, V.) tem como centro a relação, ainda não explicitada, do homem com objetos criados por ele e a função desses na sociedade. Há, num contexto massivo, a crença da servidão das máquinas para a população - o inventor domina sua criação. Contudo, na vivência contemporânea, é válido questionar essa relação de dependência; os humanos precisam vorazmente de suas invenções, a vida se encontra automatizada, centrada nas facilidades proporcionadas por tais objetos. Outrossim, a desvalorização da cultura é relatada, proveniente das tecnologias e do alto alcance massivo de certos ideais. As "máquinas" dos homens proporcionaram uma grande capacidade de comunicação, porém, veio, em anexo, a incapacidade - ou preguiça - de se ter senso crítico e pensamentos individuais. Valoriza-se, em demasia, ideais coletivos e culturas "aceitas" por grande parte das pessoas.
É válido acrescentar ainda, após a leitura dos textos das colegas Giovana Lemos e Bruna Soares, respectivamente, que, apesar da falsa superioridade dos homens - tida como verdadeira no âmbito social - as conquistas evolutivas da humanidade só foram possíveis, em maioria, após a invenção de vários objetos que simplificam - ou tomam - os afazeres dos seres humanos, destacando novamente a dependência relatada por Flusser. Tais conquistas são, predominantemente, outras criações humanas, o que corrobora para a ideia de obsolência dos esforços humanos. Além disso, nota-se um materialismo exacerbado na sociedade; a super valorização de objetos ultrapassa a capacidade de captar os males trazidos por eles, por conseguinte, o homem perde suas premissas pessoais, que ditam sua cultura e seus valores, e continua escravo de seus feitos.

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